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terça-feira, 21 de maio de 2013

RJ: Acusados de estuprar americana em van se recusam a falar em audiência no Rio


Testemunhas disseram que criminosos riram sarcasticamente durante o crime
Os três acusados de estuprar uma turista americana no último dia 30 de março participaram de uma audiência de instrução e julgamento na tarde de segunda-feira (20), na 32ª Vara Criminal da Capital. Segundo o Tribunal de Justiça, os réus Jonathan Froudakis de Souza, Walace Aparecido Souza Silva e Carlos Armando Costa dos Santos seguiram a orientação de suas defesas e se recusaram a prestar depoimento. Todos respondem por estupro, roubo qualificado, extorsão, corrupção de menores e formação quadrilha. A sentença deve sair em dois meses.
Pelo menos quatro testemunhas da acusação disseram, em juízo, que nunca viram crime de tamanha gravidade e intensidade. Também relataram que, durante o fato criminoso, os réus riam sarcasticamente.
Durante a audiência, duas adolescentes, testemunhas da acusação, contaram ter embarcado na van na Praça Serzedelo Correira, em Copacabana, zona sul, e disseram a americana e seu namorado, um turista francês que foi agredido pelos acusados, já estavam no veículo.
De acordo com os depoimentos das duas jovens, um dos acusados anunciou o assalto depois de terem passado em frente ao Shopping Rio Sul e determinou que todos os passageiros entregassem seus pertences, enquanto fazia ameaças. Elas disseram ainda que ele teria mandado os passageiros abaixarem a cabeça e que teria gritado e xingado os estrangeiros, que pareciam não ter entendido a ordem.  Em seguida, as testemunhas lembraram que o assaltante determinou que todos descessem da van, exceto o casal de turistas.
Terceiro a prestar depoimento, o delegado Alexandre Braga, titular da Deat (Delegacia Especial de Apoio ao Turismo), lembrou que a turista, apesar de bastante abalada, apresentou um relato lógico e coerente e confirmou que os três acusados participaram dos estupros. Ele declarou ainda que, com a divulgação na mídia das imagens dos réus, outras vítimas do grupo procuraram a polícia.
O delegado assistente da DEAT Rodrigo Brant afirmou que o conteúdo da  denúncia coincide com os relatos das vítimas. Ele disse que os réus, durante o depoimento na delegacia, se mostraram frios e não apresentaram sinais de arrependimento.
A inspetora da DEAT Vanessa Combatassy, primeira a tomar depoimento dos turistas após o crime, declarou que Jonathan, que inicialmente dirigia a van, foi o primeiro a estuprar a moça. Ele teria mandado que ela tirasse a roupa, mas diante da negativa, lhe deu dois socos no rosto. A jovem quebrou o nariz. Em seguida, o criminoso a violentou.

Imediatamente após, o acusado Wallace repetiu a ação. A inspetora disse que a americana ficou nua durante todo o evento criminoso.
A policial informou ainda que acompanhou as vítimas a dois hospitais, onde tomaram um coquetel de remédios.
— Quando ela soube que o tratamento seria longo, que poderia durar cerca de 20 a 30 dias, entrou em choque e perguntava, incessantemente, se poderia voltar para os Estados Unidos e se tratar lá.
O inspetor Jaime, da DEAT, disse que um frentista passou à polícia a placa da van. Ele teria feito a anotação por causa do comportamento alterado dos rapazes. A partir desta informação, foi possível chegar rápido ao réu Jonathan e prendê-lo oito horas após o crime.
O policial declarou também que não houve indícios contra o dono da van, que foi solícito e ajudou na investigação. Ele revelou ainda que o terceiro réu, Carlos, estava junto com Walace quando este último foi preso, mas que não foi preso nesta ocasião porque, na delegacia, Jonathan havia dito que seus comparsas eram Walace e Tiago. Depois, através de fotos do Portal da Segurança da Polícia Civil,  viram que o suspeito usava o nome de Tiago Felipe e, no facebook, Carlos Armando. Confrontando as fotos para os turistas, Carlos foi reconhecido e a prisão decretada.
A defesa de Jonathan quis ouvir duas testemunhas de caráter. Elas falaram ao juiz Guilherme Schilling que conheciam há muito tempo o acusado e que ele sempre foi trabalhador. Uma delas disse ainda que ele recebeu uma boa educação da família e que nunca passou necessidades na vida, embora tivesse começado a trabalhar muito cedo.
Menor
Embora tenha se recusado a violentar a jovem, o menor que estava junto com os três acusados bateu diversas vezes no turista francês utilizando uma barra de ferro. Segundo o inspetor, a polícia não o apreendeu rapidamente, pois só teve informações sobre ele quando duas adolescentes foram à DEAT e contaram que o conheciam de um abrigo.  O menor já prestou depoimento à Vara da Infância e Juventude.

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